Universidade é pública? Abril 14, 2006
Posted by Juliana Farias in ufes.trackback
Depois das calorosa discussões sobre as cotas que movimentam boa parte das conversas nos corredores da Ufes. Pensei em outras questões que pouco são discutidas na Universidade. Se a universidade é pública, por que as atividades intelectuais não são aplicadas nos contextos da sociedade?
Uma proposta seria criar vínculos com comunidades para parceria de projetos. Imaginem que numa disciplina prática, por exemplo, de radiojornalismo fosse criada uma rádio comunitária coordenada pelos estudantes e orientada pelo professor. Ou um estudante de letras tivesse a possibilidade de orientar experiências didáticas para estudantes de escolas públicas de ensino fundamental e médio.
Outra dúvida que surgiu, por que os profissionais formados por instuições de ensino públicas não retornam o dinheiro investido da população em programas voluntários. Seria interessante pensar no caso dos médicos que vivem pelo 6 anos o contexto universitário, retribuindo essa oportunidade por meio de exercer o mesmo período escolar depois de formado em atividades voluntárias com comunidades carentes. Isso não é desculpa para as pessoas trabalharem de graça não, seria uma forma dos formados valorizarem o investimento que a sociedade lhe fez. Além disso, instigaria as pessoas a otimizarem o tempo que frequentam o espaço universitário.
É importante pensar numa forma de melhor integração entre a Universidade e a comunidade, além é claro dos já existentes Projetos de Extensão.
Acho que a Juliana levantou uma questão muito importante. Discutir sobre a necessidade de servir a sociedade por meio do conhecimento produzido na universidade é algo que realmente deve ser feito. Já pensei diversas vezes sobre esse assunto e tenho uma opinião formada a respeito dele. Desde bem pequenos somos orientados a estudar, segundo a sociedade, para “ser alguém na vida”. Esse “ser alguém na vida” nada mais é do que aprender uma profissão, arranjar um emprego e garantir um gordo salário no final do mês. Portanto, o estudo normalmente é associado a busca pela ascensão social. Por isso, quando o estudante chega na universidade, vê neste local uma instituição na qual ele aprenderá uma técnica (e isso não significa necessariamente que ele aprenderá a pensar)para exercer determinada profissão. O discurso é sempre o mesmo: “estou aqui porque eu mereço, passei no vestibular”. Contudo, os universitários esquecem de que a universidade pública é mantida por meio de impostos pagos pela sociedade, inclusive, por pessoas que mal têm o que comer. Nem passa pela cabeça dos universitários fazer algum trabalho social. Um dentista poderia promover palestras nas escolas públicas da periferia sobre saúde bucal, um licenciado em qualquer disciplina (história, geografia, etc) poderia dar aula em algum pré vestibular comunitário, e por aí vai. Muita gente defende que estudantes de medicina devem exercer trabalhos comunitários durante um período depois de formados. Defendo que não somente os médicos egressos das universidades façam isso, mas também profissionais de toda e qualquer área. No entanto, acho que não deve existir uma lei que os obrigue. Para mim, esse tipo de trabalho deve ser feito de livre e espontânea vontade para que não seja realizado “mal e porcamente”. Além disso, não se deve estipular um limite de tempo, esse tipo de atividade deve fazer parte da nossa vida, e não de um determinado período dela. Sugiro que as escolas de ensino fundamental e médio debatam sobre esse assunto. Na universidade, percebo que são poucos os professores que dicutem sobre o papel da universidade em meio a sociedade, as discussões partem de um pequeno grupo de alunos que fala para um grande grupo de estudantes que tapa os ouvidos para não escutar. Trabalhar com o voluntariado é algo muito difícil atualmente. As pessoas defendem que todo e qualquer trabalho deve ser remunerado, que não se deve “trabalhar de graça”. Vejo que a realidade de alguns projetos socias que trabalham com voluntários é muito complicada. É óbvio que existem pessoas que levam o trabalho voluntário a sério, contudo, há aquelas que encaram essa atividade como um favor que estão fazendo, não se importam se o trabalho está sendo bem feito. Se por livre e espontânea vontade já é assim, imagine se for obrigado. Acho que quem se dispõe a ser voluntário deve exercer esse papel com a mesma competência que exerce o trabalho remunerado.
Elaine Dal Gobbo – sexto período de jornalismo.
Mto bem lembrado!interessante as propostas abordadas….fica ai pra reflexao!
mto bom o blog de vcs,pessoal!
bjos,Gabi
muito oportuno o post
axo que antes de discutir cotas é fundamental deixar claro o papel da universidade
compartilho da mesma opiniao de voces. Mas tudo isso parece muito distante. A pergunta é: o que poderiamos fazer pra q isso se torne real?
Caro colega Vitor Taveira,
Vou tentar responder a sua pergunta sobre como tornar realidade a questão do trabalho junto a comunidade. Como falei no meu primeiro comentário, creio que é importante que as escolas de ensino fundamental e médio saiam desse discurso de que é preciso estudar para “se dar bem na vida” e comecem a trabalhar a questão de que o conhecimento produzido na universidade deve ser utilizado para o bem de todos, e não para ficar armazenado nas cabecinhas dos universitários para que eles utilizem de acordo com as suas ncessidades. Dentro da própria universidade existem maneiras utilizar o conhecimento em prol da sociedade. Uma dessas alternativas é participar de projetos de extensão. Vou dar exemplos de alguns: projeto de extensão vídeo – documentário vinte anos do MST no ES (no qual foi produzido um vídeo para o MST, que conta a história do movimento no ES), assessoria do Fórum Social Mundial e Fórum Social Capixaba (onde os estudantes de comunicação fizeram a assessoria desses dois eventos que, apesar da sua importância, não tem uma ampla cobertura da imprensa). Isso só no departamento de comunicação Social, fora os outros cursos e projetos que não são vinculados a curso nenhum, como é o caso do Conexão de Saberes, que agrega estudantes de vários cursos. Os estudantes precisam conhecer os projetos de extensão e saber como funcionam, pois muitos não sabem sequer que eles existem. Os universitários precisam estar atentos as demandas da sua comunidade, de determinada instituição, de algum movimento social e elaborar projetos a serem apresentados junto ao seu departamento, solicitando um orientador e reunindo colegas que queiram participar. Também acho que isso não deve ficar restrito ao meio acadêmico. Se na sua comunidade estão precisando de alguém para auxiliar em algum tipo de trabalho, essa pode ser uma boa oportunidade para se inserir no voluntariado. Entretanto, é preciso ficar atento e não trabalhar voluntariamente em qualquer lugar. Por exemplo, ser professor voluntário em uma escola pública na minha opinião não é correto, pois é obrigação do governo pagar esses profissionais. Apartir do momento que alguém se torna professor voluntário numa escola pública está tirando do governo a responsabilidade de arcar com as despesas na área da educação, e não é para isso que pagamos nossos impostos. Um exemplo bem diferente é o pré – vestibular comunitário, o qual mencionei no comentário que fiz anteriormente. Acho diferente porque normalmente é organizado pela comunidade “X” e funciona na garagem da casa do seu Zé, que cedeu o espaço com muito carinho, dedicação e esperança de dias melhores para os jovens de sua comunidade, ou seja, é feito pela sociedade civil. Quanto a articulação dos estudantes nesse tipo de debate, acho que os encontros do movimento estudantil trazem questionamentos muito interessantes e experiências de sucesso. Outra coisa que é essencial é conhecer a realidade triste que está ao nosso redor, sem conhece – la, não saberemos quais são as necessidades de quem está a nossa volta, se não conhecemos essas necessidades, não podemos ajudar em nada. Os professores poderiam levantar mais esse tipo de discussão dentro da sala de aula. Falta iniciativa por parte de estudantes, principalmente os que não militam em nenhum movimento, professores e da própria universidade.
Elaine Dal Gobbo
Fico muito feliz pelos comentários e pelas dicas. Acho fundamental essa discussão, principalmente entre os universitários. Afinal, a universidade é uma excelente oportunidade de amadurecimento e produção de conhecimentos. beijos juliana
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