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A diferença entre esquerda ou direita de manifesta na ênfase dada às questões, diz professor da Iuperj Setembro 13, 2006

Posted by Ezequiel Vieira in eventos/debates, política, ufes.
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A condução do debate “A democracia e processo eleitoral”* se fez por duas linhas básicas. A primeira seria que discurso extremado não ganha eleição.

A segunda, que na verdade é conseqüência da anterior, é que partidos competitivos se assemelham para conseguir um fim comum: votos. “Mas eles não são os mesmos. A aparente semelhança esconde diferenças importantes”.

Essa foi a fala do professor e doutor em ciência política/Iuperj, Fabiano Santos (foto), no momento em que ele contra-argumentou três teses que nortearam a análise do processo eleitoral de meados de 2005 pra cá.

1ª tese: A semelhança entre o PT e o PSDB. Em essência eles seriam a mesma coisa
2ª tese: A viabilidade de uma 3ª via no processo eleitoral
3ª tese: A corrupção como critério determinante na escolha do candidato

*Também participou do debate de hoje pela manhã (auditório do IC IV – Ufes) o também doutor em ciência política e professor da Ufes, André Pereira.

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Posted by Ezequiel Vieira in eventos/debates, política, ufes.
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1. A semelhança entre o PT e o PSDB. Em essência eles seriam a mesma coisa. Fabiano destacou que a análise das eleições realizadas a partir de 1986 permite afirmar que a característica do processo eleitoral brasileiro tende para a estabilidade. A única novidade, verificada ao longo desse período, seria a da transformação do PT em um partido forte.

A disputa partidária se daria hoje fundamentalmente em torno de quatro legendas: PT, PSDB, PFL e PMDB – com a clara polarização entre PT e PSDB desde 1994. Esse quadro permitiria aproximar o sistema político brasileiro ao de democracias mais maduras – em que o cenário partidário se estabiliza em torno de algumas forças políticas e as eleições para o executivo girariam em torno de dois pólos. Um ligado às questões do trabalho (centro-esquerda) e o outro ligado a forças empresariais (centro-direita).

Esse quadro levaria os partidos a montar um discurso mais moderado na tentativa de conquistar a confiança “do eleitor que não é nem de direita nem de esquerda. Está no centro.” O professor citou o exemplo das eleições majoritárias em que se disputa 50% mais um das intenções de voto. Para um partido obter essa maioria, além de ter que conquistar o voto do eleitorado de esquerda e de direita, seria inevitável a moderação do discurso para também alcançar o eleitorado de centro. “Quem conquistar a confiança do eleitorado de centro, ganha a eleição”.

Por essa esquematização, PT e PSDB seriam sim partidos de esquerda e de direita, mas que precisam atender a uma agenda de questões nacional da qual é impossível fugir. A conseqüência mais evidente é a da semelhança entre os programas de governo tucano e petista. “A diferença vai ficar então na trajetória histórica de cada partido e na ênfase dada a cada questão. Mas isso não significa que os partidos sejam os mesmos“.

Fabiano afirma que o PSDB no governo se caracterizou por uma ação de capitalismo. “As reformas foram orientadas para o mercado. A coisa mais importante era estabelecer condições e gerar confiança para que se tivesse investimento do setor privado. A ênfase do PT não foi essa. E esse é um fator determinante para o favoritismo de Lula – a política social.

O professor, num inseparável didatismo, continua dizendo que existem restrições objetivas para aquilo que é possível fazer no Brasil. E essas retrições “estão colocadas para qualquer governo – vindo da direita ou da esquerda. Essa realidade não aparece no processo eleitoral e faz com que candidatos realmente competitivos adotem praticamente o mesmo discurso.”

Ps 1: as outras hipóteses vão ser postadas na sexta. São elas:
2. A viabilidade de uma 3a via no processo eleitoral
3. O caráter decisivo da corrupção no processo elitoral de 2006

Ps 2:as análises foram propostas em fevereiro deste ano.