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projeto de pesquisa – conclusão novembro 20, 2006

Posted by Ezequiel Vieira in iniciação científica.
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Pra dramatizar um tanto, foi quase um parto fazer essa conclusão. Terminei o relatório final do projeto de pesquisa um mês antes do prazo de entregar na universidade e só fui concluir de fato e de direito faltando um dia pra ver o trabalho de um ano resumido em míseras 19 páginas.

Cada vez que releio fico com vontade de acertar alguma coisa. Mas agora já foi, chega de nariz de cera e eis a conclusão:
5 – Discussão/conclusões

A conclusão básica deste projeto foi a de que o jornalismo não pode ser compreendido tão somente como uma atividade de mediação. Gomes (2004) caracteriza a imprensa como mais um ator em disputa na cena política e, nessa direção, Fausto Neto (1994, p. 331) também afirma que “meios de comunicação agem não apenas como mediadores, mas também como operadores na medida em que são protagonistas ativos do próprio processo político”.

O autor lembra ainda que a imprensa “revela, qualifica, chama atenção, ordena, hierarquiza, orienta, dá direção, exorta, significa, adverte” mesmo que ela venha atuando “através de práticas discursivas subordinadas ao pressuposto de neutralidade que, embora desmistificada, colabora para sustentar o simulacro de transmissora da realidade (Ralmades, 1997, p. 9).

Pela análise do corpus selecionado, A Gazeta apresentou uma enunciação oscilante. Num primeiro momento, temo um presidente cuja ação é contrária ao seu dever fazer (tentou impedir que fossem reunidas as assinaturas para viabilizar a criação da CPI dos Correios). Depois, notamos um Lula que se torna um sujeito cumpridor de seu papel como presidente e que promete ir às últimas conseqüências, não poupando quem quer que seja culpado. O maior impasse entre o dever fazer e o não querer ocorre na manchete “Lula: ‘cortarei na própria carne, se necessário’” (08/06/05), mas que foi desfeito com a demissão de Dirceu “O Primeiro corte na própria carne” (17/06/05).

Mesmo com um discurso ambíguo, podemos afirmar que a pessoa do presidente Lula foi preservada e que ele emerge com um saldo positivo pelo modo de ver de A Gazeta.  O mesmo não ocorre com a imagem do Governo petista, para o qual a desqualificação por incompetência e corrupção se manteve constante. Ficou bem demarca a diferença entre Lula e Governo. É este último quem surge como o sujeito que tenta, mas não consegue, impedir as investigações das denúncias que vão surgindo. Identifica-se um discurso moralista quanto ao deve fazer da atividade política, no qual o jornal se posiciona como um guardião de contratos legitimado pela sanção pragmática do leitor operada pela aquisição contínua de um mesmo jornal (Ramaldes, 1997).

Pouco mais de um ano separa a redação final (30/07/06) deste projeto de iniciação científica do período selecionado para estudo. Entretanto, relatos da própria mídia impressa permitem hoje verificar que a imagem pública do presidente Lula foi preservada da crise política, tendo o desgaste se refletido com mais intensidade sobre o governo, não dissociado pelos jornais do Partido dos Trabalhadores. Tanto que a edição da revista Época (ed. 428, de 31/07/06, seção Bastidores, p. 24) revela o distanciamento “estratégico” da campanha de Lula à reeleição do partido que o elegeu e ao qual permanece filiado.  

O candidato não petista do PT

Ao contrário de seus antecessores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dito a amigos que gosta da solidão poder. No início do governo, dizia-se que ele dependia de José Dirceu. Depois, que era teleguiado por Antônio Palocci. Na verdade, muitas vezes Lula usava os ex-ministros para dizer não a pedidos. A mudança veio com a crise do mensalão. Lula acredita que saiu dela sozinho, sem ajuda de nada além de seu carisma. É por isso que o próprio Lula está se afastando gradativamente dos candidatos do PT. A maioria tem poucas chances de eleição, segundo as pesquisas, tira mais votos do que dá ao presidente… O primeiro sinal público do afastamento está nas cores da campanha presidencial: o vermelho do PT dará lugar às cores do Brasil (Época de 31/07/06).

  • Acesse o projeto na íntegra (.doc)
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