A comunicação sindical e seu discurso de impotência Fevereiro 13, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in comunicação, política.4 comments
É cacoete típico de entidades sociais adotar uma perspectiva e pensar a si mesmo sob o ponto de vista de uma resistência continuada e não de quem pretenda que uma dada realidade seja hegemônica. Se é a Folha é quem no Brasil detém o maior número de jornalistas a sua disposição, não é o Estadão, o Globo, o Correio Brasiliense e muito menos o moribundo JB quem fica com a segunda colocação. É a CUT, tão orgulhosa de dizer que é maior central sindical da América Latina, quem ocupa esse posto – segundo registram Claudia Santiago e Vito Giannotti no livro Comunicação Sindical: A arte de falar para milhões.
Preciso manter o site do sindicato em que faço estágio, Sindicomerciários, atualizado diariamente e uma das opções de fontes de informação recomendadas é a página da CUT e a de suas sedes estaduais. A perspectiva de resistência, o econômes e o sindicalês são estruturantes na elaboração das informações. A pessoa não tem lazer. Milita. Não tem família. Milita. O indivíduo não vive em torno de suas idiossincrasias. Milita.
O rodapé do site cutista indica um sem número de filiados, sócios e representantes, mas conta-se nos dedos aqueles que elaboram uma comunicação, pelo menos, mediana.
O discurso pende para a impotência e o investimento em comunicação e em suas ferramentas é irrisório.
É primário pra qualquer estudante de comunicação que se um discurso não for moderado, vá lá, adaptado ao público, ele não conquista novos adeptos. Vai falar sempre para os mesmos. Por mais legítima que uma defesa possa ser, a pré-concepção que se tem do porta-voz estabelece o critério, para que, pelo menos, se pare para ouvir o que vai ser dito.
A tal da “imprensa conservadora, manipuladora e neoliberal” – tão presente nas críticas feitas pelo movimento sindical e afins – não tem culpa se sabe elaborar e apresentar melhor o seu discurso do que aqueles que estão sempre na impotência de uma proposição.
Ps.: postagem muito livremente inspirada neste vídeo.
Mudança em três passos Fevereiro 13, 2007
Posted by Gabriely Sant'Ana in política.4 comments
O “ainda” presidente do “ainda” Partido da Frente Liberal, Jorge Bornhausen, declarou no dia 8 deste mês a reforma que o partido sofrerá para dar um novo fôlego à legenda, que vem perdendo espaço nas últimas eleições. Para se ter um exemplo, em 1986 o PFL ocupava 24,2% do plenário. Hoje, o número caiu quase pela metade, chegando aos 12,7%.
Ela pode ser resumida a uma tríade:
1º A mudança do nome do partido para Partido Democrático (PD)
2º Investimento em políticos jovens. (não posso dizer nomes novos, pois são herdeiros consanguíneos de senhores já conhecidos como ACM, César Maia e o senador Efraim Morais.)
3º Uma espécie de triagem que irá limar os interessados em aderir ao governo petista ou os que não se adaptarem à renovação do partido.
A escolha do título Democrata, de acordo com o próprio site do partido é “… Temos uma onda de populismo na América do Sul e o contraponto ao populismo é a democracia, logo, o contraponto aos partidos que apoiam governos populistas será o Partido Democrata”. Oh! É a Democracia lutando bravamente contra a Demagogia… Nada mais messiânico.
Um fato curioso é o concurso que foi aberto para coroar esta faxina. Bornhausen anunciou também que haverá um prêmio de R$ 20 mil para o criador do novo símbolo do partido. O julgamento das marcas será feito pela Fundação Cidadania e Liberdade.
Iniciativa bem “democrática”, não?