Onde falta Estado, sobra violência Março 5, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in cotidiano, política.trackback
Das dez cidades mais violentas do país, sete rejeitaram, no referendo de 2005 (postagens do blog na época), a proibição de armas numa proporção muito superior à média nacional. A maior parte delas também se manifestaria, um ano depois, contrária à reeleição de Lula – acesse as estatísticas das eleições no site do TSE. A grande maioria também experimentou surtos de crescimento econômico nos últimos anos e apenas uma delas, a que ocupa o décimo lugar, está no eixo Rio-São Paulo.
O insight para fazer esse cruzamento de dados foi da editora de política do Valor Econômico, Maria Cristina Fernandes. Um exemplo irrecusável que ela menciona em sua coluna desse final de semana é o da cidade de Colniza (MT). Na cidade com o maior índice proporcional de homicídios, local de uma tríplice divisa entre os estados de Mato Grosso, Rondônia e Amazonas, nove em cada dez de seus eleitores foram contrários à proibição de venda de armas (o resultado nacional foi de 63.9%) no referendo.
Fernandes lembra que as urnas de Colniza, à luz do mapa da violência, mostram que por lá, mais do que em qualquer outro local, a população não aceita se desarmar porque o Estado não oferece garantias suficientes de que é capaz de protegê-la. “No matadouro de Colniza, Estado é regularização fundiária e fiscalização da exploração madeireira.”
Em Juruena (MT), segunda na lista no mapa da violência, Estado é demarcação de terra indígena e regularização do garimpo. O Estado em que estão quatro das dez cidades mais violentas do país é governado pelo aliado do presidente Lula, Blairo Maggi. Com a perspectiva de o Brasil se tonar a Arabia Saudita do etanol, é no Mato Grosso que estão concentradas boa parte das expectativas em relação à expansão da área plantada de cana. Mas há evidências de que crescimento, sozinho, não será capaz de civilizar a região.
- A íntegra do artigo – A venda de armas no mapa da violência – está disponível na Rede Pró-Brasil.
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