“A mudança não passa pela delegação de representação”, conclui editor da Le Diplomatique Maio 25, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in capitalismo cognitivo, cibercultura, comunicação, copyleft, economia, eventos/debates, inclusão digital, internet, jornalismo, política, sociedade midiatizada, tecnologia.trackback
[Seminário A Constituição do Comum - blog] - Ainda na manhã de quarta
O editor da Lemonde Diplomatique no Brasil, Antonio Martins, constata que houve uma mudança muita grande na forma de se alcançar o direito de se produzir informação. “Muito diferente de como se deveria agir há 20 anos atrás, por exemplo”. Martins usou dessa constatação para dizer que é necessário pensar então em novas formas de emancipação sóciocomunicativa.
Projetos que realcem a ação autonôma implica responsabilidades maiores. Autonomia para enxergar novas formas de luta.
Essa conquista do direito à comunicação não passa mais – como nunca viria a se passar, mas o contexto político hoje grita isso – por uma centralização dos meios de se produzir comunicação, – um verdadeiro crtl c crttl v do modelo tradicional a que tanto a chamada esquerda viria a contestar – ou seja, muito pensamento a partir do que já está proposto e nada de autonomia de pensamento político. “Querer enfrentar os veículos de comunicação era quase sempre uma batalha perdida”, reconhece catarticamente.
Martins vai argumentar que a internet traz uma realidade alternativa e não dialética – o que também não significaria afirmar que ela represente uma panacéia. “As pessoas deixam a TV e passam então a valorizar as múltiplas possibilidades da internet.”
Impossível não citar aqui Derrick de Kerckhove quando diz
A luta política hoje não se fará entre entre direita e esquerda, mas entre quem vê televisão sem uma resposta e quem adere a Net com uma informação muito mais completa e que todos podem gerir e alimentar.
Uma outra mudança estrutural do modo de se fazer política seria desencadeada a partir dos movimentos zapatistas, de Seatle e fóruns sociais mundiais – ver texto ‘Auto-Organização da Inteligência Coletiva Global – Uma estratégia para o movimento pós-Seattle-Gênova por Franco Berardi (Bifo)”. “Ela [mudança] caminha no sentido de que seja esgotada a supremacia do lucro sobre o direito”.
A questão, para Martins, não é a de negar o capitalismo. É colocar na mesa de discussão novos valores
Ele diz não acreditar que a mudança aconteça em um dia a ser aguardado, bem ao estilo de um golpe ou coisa parecida - nesse momento esperava que ele dissesse “A hora é essa!”. Martins cita o exemplo do movimento software livre para reafirmar que os movimentos sociais têm que ser mais propositivos – não resisti, minha memória religiosa me trouxe essa palavra “Levanta-te, vem para o meio”. Até pela narrativa bíblica, a cura, seja lá do que e operada por quem, só vem quando se pede e se busca insistentemente. Amém!
A possibilidade de mudança, mensageia Antonio Martins, não é feita pela delegação de representação. “Ela está em ações cotidianas. Do mínimo ao máximo.”
Amém!
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