Estudantes de Pré-Vestibulares visitam Feira de Cursos na Ufes Junho 18, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in eventos/debates, ufes.trackback
A 1ª Feira Expositiva de Cursos de Graduação da Ufes, realizada ontem pelo Programa Conexões de Saberes/Ufes em parceria com o Programa de Educação Tutorial (PET), reuniu estudantes de ensino médio e pré-vestibular, que foram à quadra poliesportiva da universidade para obter mais segurança na hora de escolher qual graduação cursar. Alguns foram apenas para confirmar uma decisão já tomada, mas foi a dúvida a presença mais marcante durante a Feira.
Os expositotes dos cursos foram os próprios alunos da Ufes. Os visitantes puderam conhecer as graduações que a universidade oferece no que se refere a sua duração, objetivos, áreas de formação e de atuação no mercado e quais tipos de produções acadêmicas podem ser feitos. Érica Pereira, 23, do estande de Medicina, disse que sempre comentavam com ela sobre a alta concorrência do curso e se tinha valido a pena estudar tanto. Empolgada, do 1º período e já ‘enchendo a paciência’ dos formados, ela garante que sim.
Érica conta que a pergunta sobre mercado de trabalho geralmente vinha em último lugar. Neste caso, estaria em alta a procura por médicos especializados em doenças relacionadas à velhice, tais como geriatras, cardiologistas e reumatologistas – o que pode ser reflexo da acentuação do envelhecimento da população pelo qual o Brasil vem passando [notícia do IBGE].
Perguntada sobre qual era o perfil das dúvidas, Érica não pensou duas vezes. “Os que eram de escola pública não contavam com informação nenhuma. Precisavam saber sobre tudo. Já os de escola particular não precisam ser informados de mais nada. Eles estavam atrás da grande DICA.” Luana Gabrieli, 16, foi uma das exceções. Ela é estudante no pré-vestibular popular COMUNA [blog] e a Feira só teria confirmado uma decisão já tomada. Prestar vestibular para jornalismo.
Informações de acesso
O Conexões de Saberes/Ufes em 2006 fez uma pesquisa sobre o perfil de estudantes de pré-vestibulares populares. Foi distribuído um questionário para 106 alunos de oito cursinhos populares da Grande Vitória. Uma das questões era para que se apontasse o que motivou o interesse em fazer faculdade. Apenas 1% indicou a escola como a maior motivadora.
[1] Acesse no Youtube o vídeo explicativo sobre o que é o programa Conexões
Em 2008 a Feira terá uma nova edição sempre com o objetivo de fazer com que principalmente os estudantes de cursinhos comunitários possam conhecer a universidade, estreitando os laços entre a instituição e as comunidades populares.
Filosofia - O estande era pequeno mas logo foi feita uma roda papo-cabeça com 12 pessoas. O debate aconteceu até ao final da Feira. A frase da camisa da dupla de expositores resume bem o que estava em discussão. “Vivendo, se aprende, mas o que se aprende, mais, é só fazer outras perguntas – Guimarães Rosa”.
Física – O estande recebeu um grande número de visitantes. Chamou atenção os experimentos que foram feitos na hora. A idéia era ampliar o que se discute na física para além de uma matemática fechada.
Serviço – O site da Ufes traz informações sobre todos os cursos oferecidos junto com telefone e email para contato. Nesse endereço também podem ser acessados a ementa e o currículo de disciplinas de cada curso e podem ser feitas perguntas online diretamente ao colegiado desejado.
Acho que na I Feira Expositiva de Cursos da Ufes ficou muito claro o papel que escolas públicas e particulares exercem na formação de seus alunos. Enquanto os estudantes de colégios privados possuem acesso a informações sobre o curso superior, os de escolas públicas não têm as mesmas informações. Muitos podem dizer que isso é falta de interesse, mas a pesquisa feita pelo Conexões de Saberes, mencionada no texto, prova que muitos professores da rede pública de ensino fundamental e médio negam aos seus alunos informações sobre a universidade. Podemos concluir que esses “educadores” simplesmente não incentivam os estudantes de origem popular a prestar vestibular, seja pela crença de que a universidade não é o lugar deles ou pelo fato de crer que os alunos de escola pública são incapazes. Nesse caso, a tão sonhada educação transformadora defendida por Paulo Freire “vai para o ralo” e cede lugar para uma “educação” que está a serviço da desigualdade e manutenção dos privilégios de determinados grupos. Entretanto, não podemos dizer que as escolas particulares cumprem um excelente papel ao incentivar seus alunos clientes a ingressar na universidade. Esse incentivo é feito de maneira extremamente canalha. Conselhos como “não ajude seu colega quando ele estiver com dúvida em alguma disciplina, pois ele é seu concorrente” ou “ensine coisas erradas para o seu concorrente” fazem com que os estudantes fiquem cada vez mais competitivos, e é uma competitividade que não se limita ao vestibular, e sim, que carregam para a vida deles e os fazem acreditar que “se dá bem quem é o melhor”. Outro aspecto importante, e muito perceptível na feira, e posso dizer isso porque fiquei no estande do curso de Comunicação Social, é que a maioria das pessoas relaciona os estudos ao mercado de trabalho. Um dos motivos para que isso aconteça é justamente a promessa por parte de alguns professores (e não somente deles, óbvio) de que, ao estudar, a pessoa terá grandes chances de arranjar um ótimo emprego e ganhar um ótimo salário, podendo até ficar ricas! (eu não entendo essa obsessão das pessoas em ficarem ricas, elas podem viver muito bem sem ser milionárias). Uma das perguntas mais freqüentes era: o mercado é bom? o profissional ganha bem? Por isso que a maioria dos estudantes gostam somente de aulas práticas, detestam leituras de textos que não são específicos do curso deles, entre outros aspectos. É porque eles querem aprender a técnica para ingressar no mercado, por isso, deixam a reflexão de lado, como se as duas coisas não fossem importantes.
Ah, voltando a falar sobre os estudantes de escolas públicas, outro fator que faz com que não tenham acesso a informações sobre a universidade é não conviver com muitas pessoas que passaram por ela. A pesquisa mencionada no texto aponta também que os pais de estudantes de pré-vestibulares populares (a maioria esmagadora desses alunos é oriunda de escola pública), em sua maioria, não terminaram o ensino fundamental. A falta de instrução é uma “herança” que atravessa várias gerações.
Muito dez o blog de vcs ,estão de parabéns!! Se puderem visitar meu site que fala sobre regressao a vidas passadas ficarei muito grato http://www.espacoauryn.com . Abraços
Ezequiel,
E a ocupação, precisa falar disso, rapaz?
Malini
Elaine e seus comentarios artigueiros…. uma boa soma ao post. Volte mais vezes!
malini, vou tentar publicar alguma coisa amanha
valeu!
[...] 18/06/07 – Estudantes de Pré-Vestibulares visitam Feira de Cursos na Ufes [...]