Sobre a ocupação na Ufes Junho 20, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in ufes.1 comment so far
Seja na malfamada e desejada grande mídia que, na dúvida e por medo de errar, parece sempre receber a dupla função de Judas, ou no microespaço de uma lista de discussão do curso de Comunicação, os estudantes que ocupam a reitoria da Ufes dizem que “A principal reivindicação é a Morada Estudantil“. No email do grupo teve o complemento “Isso ficou claro em todas as entrevistas concedidas pelo movimento à imprensa.”
Pra não lembrar Cristóvam Buarque, aquele que foi cunhado como o candidato de uma só nota, na entrada da reitoria eis que surge um grande cartaz com outra grande luta – Contra a Reforma Universitária. Se minha memória não me trai, faltou aí, por falta de espaço?, o eterno complemento “…. neoliberal do governo Lula“. Para todos os gostos, de perfil nem tão diverso assim, também existe um “Manifesto e Pauta de Reivindicações”.
Vamos lá! Suponhamos que a grande causa seja mesmo a questão da moradia.
Levante a mão, ou algo que o valha, quem seja contra que uma universidade conte com uma moradia de estudantes? Não sou e nunca fui de alguma coisa vinculada ao movimento estudantil – tá, no 1º período meu mindinho esquerdo ensaiou uma rápida passagem pelo CA; era o tempo em que sonhava ter o mesmo texto da Caros Amigos – mas parece sempre faltar a lógica de uma ação minimamente articulada. Grita-se muito, pensa-se pouco.
Encontro sempre os mesmos rostos em manifestações como essa desde que entrei na universidade. Adesão? Soma? Pra quê? Se partido puro debate mas não ganha eleição e serve muito bem para patrulhar e amplificar as “escurregadelas humanas” de quem está no poder, movimento estudantil que não se ramifica e busca adesão dentro e fora da universidade, vai contar sim com algumas reivindicações pontuais atendidas, mas sem maiores efeitos estruturantes.
Não se vê a preocupação de se criar um sentido de causa comum. Deve ser muito difícil mesmo buscar adesão de alunos, professores, funcionários, sindicatos, empresas (?!) (…). Será que o ES, entendendo a importância disso, não se uniria, não apoiaria, não pressionaria enfim, a Ufes para resolver essa questão da moradia estudantil?
Quanto será que a agência Espalhe cobra por seus miraculosos serviços de marketing viral? Saiba mais sobre no post ‘Esqueça a panfletagem. Potencialize o boca-a-boca’.
Mas parece que o recurso da estratégia do espetáculo seja mesmo o único que dê visibilidade às reivindicações porque junto dela vem a ilusão de que só assim alguma coisa vai ser feita como por mágica – ou um grande processo de discussão será desencadeado. Não vai. Não é à toa que um dos significados de meu nome seja grande profeta.
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