Mais duas blogueiras na rede Agosto 31, 2007
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Outro dia uma colega veio me perguntar como consigo manter um blog. Queria saber como faço pra arranjar assunto. Sinceramente? Nem eu sei direito. Sem ser pejorativo, ainda mais comigo mesmo, blogar virou quase uma atividade feita por osmose. Ou algo assim.
Sei que a proposta lá no começo era a de fazer um blog de política com pitadas de jornalismo e, com algumas variações, foi essa a linha que segui até aqui. Acho que nunca adotei o estilo do “Ouçam-me”. O blog é e sempre foi pra mim um constante processo de aprendizagem.
O assunto passou da política e suas picuínhas, reflexões sobre internet e agora, com o tcc sobre a CVRD, entrou na fase de assuntos sobre economia política. Aliás, nunca tive tão empolgado com o blog quanto agora. E talvez depois da monografia o assunto mude de novo, e assim a vida vai seguindo.
Enfim ao assunto inicial do post. Agora o blog já pode dizer que de alguma forma serviu de motivação para que outras duas pessoas também passassem a blogar – Aline Maier e Mary Esperandio.
Mary é uma professora lá de Curitiba e mandou um email muito carinhoso pra dizer que acabou de criar seu blog Psicologia da Religião. Aline é uma estudante de publicidade lá de São Paulo e faz uma semana que fez o blog Publicidade Cotidiana.
Vou correndo contar pra mamãe!…
Vale sempre agiu como se fosse empresa privada Agosto 28, 2007
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O tal plebiscito de reestatização da Vale começa no sábado. Acho um belo marketing que o PSTU e cia fazem para dizer que existem. Mas é válido. É democrático.
- Tem até um documentário sobre a campanha que tá no Youtube desde julho.
Nem me diverte o fato de ainda não ter uma concepção de Estado. Me é muito cômoda agora. Isso me faz querer saber na ponta do lápis que diferença existe entre uma empresa estatal e uma privada.
Semana passada fui numa palestra de divulgação aqui na Ufes sobre esse tal plebiscito. Não iria se a empresa não fosse tema de minha monografia. O discurso me pareceu mais um ataque de raiva do que uma discussão política de concepção e forma de atuação estatal.
Digo raiva porque o sonho de reestatização me parece passar muito mais pelo lucro que a Cvrd vem tendo do que pelo fato de ela ter sido leiloada por um preço simbólico, sendo que parte dele também foi financiado pelo BNDES. Mas ele não fez isso apenas com a Vale. Globo e Aracruz Celulose também receberam afagos.
Ainda na palestra na Ufes, pinço frases do tipo “Reestatizar a Vale para que integre a classe trabalhadora na gestão da empresa”. Me parece mais lúcido o debate no Senado onde Cristóvam Buarque argumentou que o capital de empresa, sendo privado ou estatal, não costuma ter como meta fundamental a diminuição de pobreza e coisa do tipo. Tem muito mais questões por aí. (mais…)
Milton Santos e as três fábulas sobre globalização Agosto 26, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in Globalidade, economia, política.3 comments
Eis o trailer do documentário que estreou na semana passada nos cinemas do Rio, São Paulo e Brasília – “Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá”.
De direção do cineasta Silvio Tendler o longa leva às telas a biografia e pensamento do geógrafo mineiro. A última entrevista que ele deu foi à revista Caros Amigos.
Parece que o livro fundamental de Milton, até comprei pro meu tcc, é “Por uma outra globalização”, publicado em 2000, um ano antes de sua morte. O comentário que o G1 publica sobre o documentário é que
A concepção que o pensador tem sobre o processo de globalização é o que mais interessa no filme, que ganhou o prêmio do público em Brasília. Para ele, apesar de o fenômeno ser inevitável, é possível mudar a forma como se processa, deixando de beneficiar apenas os países mais ricos em detrimento dos mais pobres. Esse processo, segundo Santos, vem ocorrendo em diversos níveis desde os Grandes Descobrimentos, no séculos 15 e 16.
Em “Por uma outra globalização” Santos argumenta que a globalização, potencializada pelas novas tecnologias, se contrói em torno de três fábulas que logo associo à internet – desterritorialização, compressão do espaço-tempo e adeia global.
Santos diz que tudo isso funciona muito bem sim, mas só para aqueles que já são incluídos, os pontinhos vermelhos do mapa, [acesse o mapa na postagem: Segregação socioespacial no mapa mundial de acessos à internet] e não como forma de inclusão e exercício de cidadania – que para ele, nunca antes, e muito menos agora, se viu o exercício de tal conceito sendo praticado no Brasil.
Ao contrário do que percebo do pensamento esquerdista, ele entende que a globalização é um processo inevitável. Parece não existir um nacionalismo mítico ou gratuito. Mas Milton ressalva e diz que é uma perversidade o modo como a globalização vem se constituindo.
O mundo, para ele, pode ser diferenciado em três características. O mundo como nos fazem ver, o mundo como ele é e o mundo como pode ser – uma outra globalização.
O que Senado e Câmara publicam sobre a Vale Agosto 24, 2007
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Pelo visto tô no caminho certo. Fui lá no site do Senado pesquisar o que se poderia encontrar sobre a Vale. O resultado é o retorno de mais de 1.200 documentos relacionados às palavras “Vale Rio Doce“.
São
- 132 documentos de Legislação Federal
- 101 documentos de matérias com tramitação no Senado
- 354 documentos disponíveis em uma tal de Biblioteca da Rede RVBI
- 254 documentos de discursos de senadores
- 360 documentos de recortes de jornais
Do que clipping feito dos jornais a grande maioria das notícias é retirada do Valor Econômico. Acredito que se dê para fazer um bom direcionamento a partir daí sobre o que vou pesquisar sobre a Cvrd, mesmo vindo apenas as chamadas sem a íntegra da notícia. Pelo título, o Google talvez ajude na hora de encontrar.
A minha sorte é que meu estágio faz assinatura do Valor, jornal de onde parece mais sair notícias que agora me interessam. Acabo de olhar, em letras pequenininhas, que para ler o Valor em casa um assinante desembolsa todo ano a bagatela de 756 reais.
A qualidade do que se lê pode compensar cada real que vai embora, mas é uma fortuna para este pacato estagiário.
Quanto ao site da Câmara o número de resultados, vão lá os deuses saber o porquê, caiu pela metade. Para as mesmas palavras digitadas vieram 604 resultados.
Relatório do blog Agosto 22, 2007
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O WordPress agora passou a mostrar as estatísticas do blogue em números semanais e mensais. Até então as estatísticas só poderiam ser comparadas por variações diárias que o blogue ia tendo no intervalo de um mês.
Vendo agora noto que o Polimidia deu um salto de audiência a partir de março. Alcançou 5.413 visualizações. Em fevereiro foi 2.438. Em outubro, quando mudei de plataforma, o pageview total no mês foi de 1.089.
A única diferença talvez tenha sido o fato de que, mesmo sem querer, passei a relatar mais o cotidiano. As postagens sobre violência [veja aqui] a partir do assassinato de João Hélio reteve bastante atenção. E mesmo a temática não tendo permanecido, a audiência a partir de então se manteve regular. (mais…)
P2P é ameaça para o Congresso dos EUA Agosto 20, 2007
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O Comitê do Congresso dos EUA, reunido em 24 de julho de 2007, considerou as redes de parceria uma ameaça à segurança nacional.
Para o comitê as redes P2P permitem aos funcionários federais compartilharem documentos restritos e proibidos acidentalmente. O deputado pela Califórnia e presidente do Comitê para a Reforma do Governo Henry Waxman declarou que estão em consideração a criação de novas leis visando sanar esse problema.
Ele disse que está muito preocupado com a possibilidade de os governos estrangeiros e grupos terroristas terem acesso aos textos que podem por em risco a segurança do país.
Acesse também
29/06 – Internet. Mídia de multidão e de controle. Essa tecnologia é uma de muitas que proporcionam uma grande capacidade de acesso a informações e isso pode se tornar em um grande pesadelo “si alguien la utiliza con fines de espionaje.”
22/07 – A cooperação como elemento constituinte das redes sociais
11/07 – Livro problematiza redes P2P e propriedade intelectual
Aquisições do mês Agosto 18, 2007
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Entre uma apreciação e outra, entre uma e outra folheada e olhada de orelha de alguns livros, em menos de 24h meus modestos 370 reais de bolsa de estágio foram quase todos embora. Para ficar mais tranqüilo, talvez seja melhor ver isso como um investimento.
O tema nasceu agora e ainda falta está mais definido, tenho a mania de querer abarcar muita coisa em pouco espaço, mas nessa semana já fui comprar alguns livros para minha monografia.
Passaram a enfeitar minha estante, mas dessa vez tenho que ler mesmo – ainda bem que tenho quase 1 ano pra fazer isso – os livros:
- Sociedade em rede - Manuel Castells
- Por uma outra Globalização - Milton Santos
- A companhia Vale do Rio Doce no contexto do Estado desenvolvimentista. Tese de Marta Zorzal
- Comunicação & Política. O estudo que o autor faz sobre o que ele chama de idade mídia me parece ser muito bom – Antonio Rubim
- A Reputação na velocidade do pensamento. Imagem e Ética na Era Digital, livro de Mário Rosa. O mesmo autor que fez o A Era do Escândalo.
- Esse já é um empréstimo por tempo indeterminado – Capitalismo Cognitivo. Giuseppe Cocco, Alexander Patez Galvão e Gerardo Silva (orgs.)
Isso sem contar a tese de quem já chamei para ser meu orientador no próximo período. O estudo que Martinuzzo faz sobre a centralidade da imprensa hoje também é digno de nota. De instrumento e uso da política, a mídia passou a configurar uma realidade peculiar. Passou a ser o palco onde a chamada realidade se desenrola.
Movimento Negro faz manifestação na Ufes Agosto 17, 2007
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por Elaine Dal Gobbo – estudante de jornalismo na Ufes
No dia 15 de agosto militantes do Movimento Negro fizeram uma manifestação para reivindicar cotas raciais na Ufes. O protesto ocorreu em frente à Reitoria, no campus de Goiabeiras. Também estiveram presentes lideranças sindicais, bolsistas do Programa Conexões de Saberes, militantes do Movimento Estudantil e representantes de pré-vestibulares populares. (mais…)
Faculdade Saberes debate “Uma Verdade Inconveniente” Agosto 14, 2007
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Em seu projeto de exibição de filmes, a Faculdade Saberes exibe no próximo sábado o documentário publicitário ”Uma verdade inconveniente”. Dessa vez não vai ser um político a participar do debate.
O doutorando em oceanografia ambiental pela Ufes, Flávio Coelho, é quem estará presente. A entrada é gratuita e as inscrições podem ser feitas entre amanhã e quinta-feira na coordenação do curso de Letras da faculdade.
Mais informações pelo telefone 3227-8203.
A propósito. Para o dia 23, a Assembléia Legislativa organiza uma audiência sobre “aquecimento global, mudanças climáticas e poluição ambiental e seus reflexos no Estado do Espírito Santo.“
Acesse também
20/04 – A verdade de Al Gore chega ao Cine Metrópolis
15/03 – Em “Uma Verdade Inconveniente” Al Gore recebe um chamado da Ciência
Estatal ou privado, o capital não contempla a sociedade, argumenta Buarque Agosto 8, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in Estado, cvrd, privatização.3 comments
Em meu processo de varredura sobre a Vale do Rio Doce, encontrei vídeos sobre a empresa. No Youtube se tem uma discussão feita em junho no Senado, quando a Vale completou 65 anos de criação, sobre privatização e estatização.
A iniciativa do pronunciamento (transcrição) foi do senador José Nery (Psol/BA) para falar sobre o plebiscito de reestatização a se realizar em setembro. Heráclito Fortes (DEM/PI) e Cristovam Buarque (PDT/DF) foram alguns dos que fizeram apartes.
Ambos os pedidos de palavra foram para relativizar a figuração problemática que Nery construiu sobre privatizações em geral e, no caso do discurso em questão, a da Vale. Nery argumenta que os lugares onde a ex-estatal fica no Pará “são regiões marcadas pela exclusão, pela miséria de forma cada vez crescente.” Ele completa dizendo que o crescimento da Vale não traz nenhum benefício para a maioria da população.
Fortes cita o caso do leilão da telefonia para dizer que “hoje se compra telefone na esquina” em oposição ao bom tempo em que antes se aguardava para se ter um aparelho funcionando em casa. Meu irmão, por exemplo, ficou três anos esperando. Outro dia consegui que em menos de 48h, pelo telefone mesmo, que fosse instalado um aparelho na casa de minha mãe. Sobre celulares, até minha avó que mora no interior de Fundão/ES (!) se encheu de razão e decidiu comprar um – ela dispensou o telefone convencional.
O aparte de Buarque buscou matizar e não colocar a questão em termos absolutos. Ele afirma que é importante “sair do caso específico do Pará, e da empresa que o Sr. está tratando para o caso mais profundo – estatização e privatização.” Ele argumenta que também deveria ser avaliado “todo o processo de estatização que ocorreu a partir da metade do século XX.” O senador comenta o que chega a ser evidente. Existem acertos e erros nos dois casos. Ele também sugere que não há muita diferença entre os beneficiários tanto numa situação como na outra.
Buarque diz que as estatais brasileiras também serviram e servem às chamadas elites. Ele lembra que se for feito um balanço do que as estatais já fizeram para se reduzir a pobreza no Brasil, “vai se ver que foi muito pouco.” Uma estatal, pelo simples fato de assim o ser, não é um tótem puro e intocável.
Ao redor das instalações da Petrobras, por exemplo, existiria a mesma miséria que estaria no entorno das mineradoras privadas. Não seria enfim uma questão de propriedade do capital, acredita Buarque. Mas da relação que se estabelece entre esse mesmo capital e a sociedade. “No Brasil o capital está isolado da sociedade. Seja nas mãos do Estado, seja nas mãos do setor privado.”
