Resenha – Periodismo Ciudadano: Ruido y Nuances Outubro 8, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in "Jornalismo Cidadão", Resumos, blogs, web 2.0.trackback
Essa é uma resenha feita para a disciplina Imprensa e Jornalismo Cidadão. O texto básico foi Periodismo Ciudadano: Ruido y Nuances:
Sociedade do conhecimento para uns. Sociedade da informação para outros. Ou mesmo sociedade em rede ou tecnológica. O modo de apreender tem lá suas especificidades e nuances, mas o fato em questão é o mesmo. Potencialmente, toda a sociedade é posta ou se vê em condições de produzir. Os meios para distribuir essa produtividade antes estocada, não mais estaria restrito a um seleto grupo que detém o monopólio da fala – acesse mais na postagem “O que é isso de comunicação horizontal e vertical?“.
Aqui o conteúdo produzido nas margens, a partir do usuário comum, passa a protagonizar o que vai se constituir na chamada web social, resultado das interações feitas em rede. Obra que, como lembra um dos diretores do Yahoo!, Ricardo Baeza-Yates, “va mucho más allá de las fotos y videos”.
Diante dessas mudanças que as novas tecnologias de informação e comunicação [TICs] provocam e potencializam, o que José da Cruz busca problematizar é como a atividade jornalística é afetada e se reconfigura. Da Cruz lembra que as TICs estão gerando “nuevas formas de relacionamiento
entre los periodistas y el público, y el público mismo ha tomado a su cargo tareas periodísticas.”
Duas seriam as características fundamentais desse novo formato de jornalismo. Ele obdeceria a um estilo mais conversacional e, portanto, se vê muito mais afetado por aquilo que o público diz – essa estranha figura antes amorfa e que agora se desmembra em um sem número de patrulheiros incovenientes.
Percebe-se outro ponto fundamental logo na primeira citação feita em seu capítulo “Periodismo Ciudadano: Ruido y Nueces”
La mayoría de la gente /…/ no tiene tantas horas diarias para leer la web, y quiere que alguien le digarápida y sucintamente lo que necesita saber. Jamie McIntyre, corresponsal de CNN en el Pentágono citado por Katharine O. Sleeye
Essa não seria a descrição da atividade de cartografia de que Jesús Matin-Barbero analisa em seu O Ofício de Cartografo [travessias latinoamericanas de comunicação na cultura] sobre o novo papel a ser desempenhado para que caminha o jornalismo?
Nesse novo cenário, o jornalista deixa então de exercer o papel messiânico do único provedor de informação. O leitor agora também quer interferir no conteúdo. O link Editar das plataformas wikis é bem paradigmático nesse sentido. O momento indica o jornalista muito mais relacionado a desempenhar o papel de organizador de conteúdos, o jornalismo cartógrafo, do que o de ser porta-voz da verdade.
Talvez, no fim, essa seria a repetição de uma velha atividade atribuída ao jornalista – organizador da realidade, do caos, cartografar, enfim, “rápida y sucintamente lo que necesita saber.”
Mas se o jornalista caminha para o ofício de cartografia, como pode ser caracterizado o que as pessoas, digamos, comuns/amadoras, produzem? Tanto para um quanto para outro Da Cruz lembra (pág. 2) que existem nomes diferentes e que também expressam formas diferentes de agir dentro desses dois meta-ofícios.
…. periodismo ciudadano, participativo, cívico, social, de fuente abierta, comunitario o periodismo 3.0 (de tercera generación). Las denominaciones no son sinónimos sino que, con matices, los adjetivos califican fenómenos contemporáneos que potencian el protagonismo de lectores o audiencias, o aún su autonomía. Según cómo se instrumente el concepto, según en qué actor se ponga el acento, la potenciación sucede en los marcos de los medios tradicionales o va por fuera de los mismos, ligado a las tecnologías
digitales.
Seria esse a caso de os jornalistas serem mais editores do que propriamente jornalistas em seu sentido até aqui entendido? Juan Varela, em seu Nuevos Medios, nuevos periodistas, indica que um aspecto fundamental nesse contexto é a nova forma de valoração da informação. Varela vai diferenciar esse valor a partir de dois momentos. A chamada era da escassez e, agora, a era da abundância.
Na escassez o valor da informação era estabelecido a partir da dificuldade de se conseguir notícias atuais e verdadeiras.
Na era da abundância, Varela aponta que o problema não é a falta de informação. Agora tem para todos os gostos espalhada pelos grupos de estilos e afetividades formados e potencializados pela internet. A atitude de agora seria a de apurar, cartografar, qual é a informação mais valiosa e fazer uma reelaboração para que todos, e não apenas um grupo em particular, possam saber.
Citado por Da Cruz, é nisso em que Steve Outing (pág. 7) também acredita.
Tienen que ser capaces de actuar recíprocamente y comunicarse mucho más estrechamente con su audiencia. Acostumbrarse a manejar y responder una mayor comunicación con los lectores; utilizar mejor a la audiencia como fuente de información e ideas, asociándose a ellos a través de un sistema de colaboradores expertos o co-redactores para producir mejores historias. Más periodistas
tendrán que aprender a ser ‘editores ciudadanos’ (citizen editors), es decir que tendrán que trabajar con los miembros de su comunidad, también productores de información y conocimiento, para compartir sus fuentes, entrenándolos, eligiendo el mejor contenido que contribuya al proceso de producción de noticias y verificando la confiabilidad de las fuentes utilizadas.” (Roitberg, 2006a).
Pelo trabalho…não conhecia a obra citada, boa indicação tendo vista que estou a desenvolver pesquisas sobre o jornalismo open-source.
Ainda tenho formada uma opinião sobre “as características” necessárias para o jornalista do futuro, mas creio que a sua principal tarefa será organizar a abundância de informação….penso também que as audiências serão cada vez mais “tribos digitais” com necessidades especifícas o tal debate da customização.
Enfim…acho que o caminho é este mesmo, “o jornalismo deixa de ser uma palestra para torna-se uma conversa” diria o profeta.
muito bem, rapaz