De três fundos de pensão que controlam a CVRD, dois são estatais Outubro 9, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in cvrd, política, privatização, votações.trackback
Em outras palavras, fazem parte “do coração e o cérebro da Vale do Rio Doce”.
É só dar um Google no nome da jornalista pra ver. A maioria das matérias que o Valor publica sobre a CVRD é de autoria de Vera Saavedra Durão. Se não é exatamente sobre a empresa, a área de atuação da Cia é bastante contemplada pelas reportagens de Vera. A mais recente, assinada com Raquel Balarin, foi publicada ontem “Vale privatizada beneficiou 4 milhões de trabalhadores”. Uma das subretrancas foi “Esquerda aproveita para ganhar espaço com plebiscito”. Sim, sim, também publiquei essa constatação por aqui. Escrevi que apesar de, é válido.
Só um parênteses. Um outro texto de leitura fundamental foi publicado hoje – “Vale expõe fratura no movimento social”. O artigo é do sempre ótimo Raymundo Costa
“No momento em que a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) decide mudar o nome e a logomarca, resquícios de um passado estatal não muito distante, o plebiscito para reverter a privatização da empresa expõe uma fratura nos movimentos sociais. O resultado da consulta, divulgado ontem, é um fiasco quando comparado aos dois outros plebiscitos convocados pelas mesmas entidades antes de o PT assumir o poder. O governo Lula é o divisor de águas.“
O mote da matéria principal de Vera e Raquel é que os organizadores do movimento-publicitário “A Vale é nossa” ficaram de anunciar nesta semana o resultado do plebiscito sobre a reestatização ou não da empresa.

- Sede da CVRD no ES
O resultado computado até agora não poderia ser mais óbvio – 94,5% dos 3,7 milhões de brasileiros que participaram do plebiscito votaram a favor da reestatização. Lembre-se de que previ esses números quase absolutos. Meu voto tá lá nos 5.5% restantes. Vera busca explicar que, mesmo privatizada, uma boa parcela do controle gerencial da Vale é feita por empresas estatais.
“Sob o pretexto de que a Vale foi subavaliada e de que é ‘preciso recuperar o patrimônio de todos os brasileiros’, os organizadores do plebiscito se esqueceram de detalhar ao país quem é que controla a mineradora, que no início do mês chegou a ultrapassar o valor de mercado da jóia da coroa estatal, a Petrobras.”
Do capital ordinário da Vale, 53,3% estariam nas mãos da holding Valepar. Seria essa holding que definiria a estratégia da companhia, via conselho de administração, e que também escolheria a alta cúpula de gestão da mineradora. Em outras palavras, resume Vera para depois perguntar, “a Valepar é o coração e o cérebro da Vale do Rio Doce.”
E quem é a Valepar? São três fundos de pensão, dois deles patrocinados integralmente por estatais – a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil e a Petros, dos trabalhadores da Petrobras – , a empresa de participações do BNDES, a Bradespar (ligada ao grupo que controla o Bradesco) e a japonesa Mitsui. Juntos, BNDESPar e fundos têm 60% do capital votante da Valepar. O capital nacional tem 81,75% das ações ordinárias da holding. A União detém ainda seis ações especiais, as “golden shares”, que lhes dá alguns poderes de veto, como mudança do local da sede.
A dupla de jornalistas opina que, explicar a composição do capital da Valepar, não seria só uma questão de mostrar quem tem uma fatia maior.
A Valepar, lembram elas, “tem um acordo de acionistas, válido até 2017, que estabelece quem pode vender para quem suas ações. Foi isso, por exemplo, que permitiu ao BNDES adquirir, no fim de 2003, um bloco de 8,5% da Valepar que estava com o Investvale, clube de funcionários da companhia que participou da privatização. Na época, sob a presidência de Carlos Lessa, o banco pagou R$ 1,5 bilhão e foi amplamente criticado, inclusive pelo então ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. Lessa se justificou dizendo que a medida evitava que a japonesa Mitsui – que tinha grande interesse nas ações – aumentasse sua participação acima de 25%, o que lhe garantiria direito de veto na holding que controla a Vale do Rio Doce. Para Lessa, a aquisição evitou que a mineradora se transformasse em uma nipo-brasileira.”
Para a direção do BNDES, já que a assessoria da CVRD diz pra tudo mundo que não fala sobre sua privatização, a questão do plebiscito sobre a anulação do leilão da Vale é irrelevante.
“A Vale não é uma estatal, mas tem um capital público grande e é uma empresa de controle nacional”, afirma. Para ele, o que se poderia discutir são maneiras de a empresa dar um retorno maior ao país, como ampliar os pagamentos a municípios e Estados em que tem negócios, especialmente Minas Gerais e Pará. Algo mais ou menos parecido com esse raciocínio foi publicado por aqui na postagem “Estatal ou privado, o capital não contempla a sociedade, argumenta Buarque”.
Acesse a íntegra da matéria para mais detalhes. Mais informações também podem ser acessadas na tag do blog sobre a Vale.
Bom Texto, meus cumprimentos pelo olhar crítico…. Fica claro que existe o povo brasileiro e o “POVO” brasileiro dos fundos de pensao… e esse POVO que controla o governo federal, jamais aceitaria perder a Vale.