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“Perco o amigo mas não perco a notícia. Vivo disso p****!” Novembro 25, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in eventos/debates.
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23/11/07 – Uma Arcelor, uma CVRD, uma Petrobrás da vida sempre investem na formação e capacitação de seus funcionários. A grande pergunta com que Ancelmo Gois começou sua fala na palestra de ontem pela manhã foi: “Por que os jornais não investem na formação de seus quadros?”

Foi bem enfatizado a necessidade da leitura [Ancelmo, por exemplo, adora poesia. Prefiro prosa] de ouvir uma boa música, ver filmes. Em síntese, ter vida social para além do apura e publica.

Se é verdade que a única coisa que jornalista ler é o jornal da concorrência – mas só pra ver se não foi furado – também é fato que ainda são poucos os jornais que promovem cursos de residência por aí. “Uma tragédia”, enfim, como resumiu e dramatizou Ancelmo.

Em um bate-papo bem descontraído e quase confessional, ele reforçou o velho radar do que seria notícia e que acredito que deva ser a primeira coisa ouvida por qualquer o calouro de jornalismo: “Não existe nada de mais em um cachorro morder o homem. Mas se o homem morder o cachorro, isso sim é notícia.” Esse teria sido sempre o príncipio-guia que procuraria adotar nas notícias que publica. “Perco o amigo mas não perco a notícia. Vivo disso porra!”

Acaba ou não acaba – a cantilena sobre o jornalismo impresso

Mais por paixão do que por uma avaliação, digamos, racional, Gois aposta que o papel, e por extensão o jornalismo impresso, tem uma longa vida pela frente. “Pelo menos não quero que acabe.” Ele lembra que, a rigor, a morte do impresso está anunciada desde os anos 1920, época da invenção do rádio. Mas ele avalia que “quem ficar fora desse mundo [internet] é bobo. Deveria ser assim: o que aparecer pela frente eu traço. Seja jornal de TV, rádio, internet […].”

Gois ainda ver que se atribui muito mais legitimidade ao jornalismo impresso do que ao online. “Ainda não podemos apontar nenhum nome importante do jornalismo digital. Mas tudo indica que isso vai mudar: até uns 20 anos atrás, por exemplo, ninguém dava legitimidade pro jornalismo feito na TV.”

Com um reconhecido saudosismo ele comenta que agora ninguém teria mais tempo pra ler um livro, uma poesia.

Vejo o corre-corre de meus filhos e fico impressionado com aquilo.” A internet seria sim uma grande oportunidade, “mas também é impressionante o quanto ela deixa à mostra o que há de pior na alma humana. No fundo, acredito que seja um grande banheiro de rodoviária do interior do Brasil: cheio de palavrões, baixaria […]

Um ponto de vista interessante sobre essa, digamos, avalanche de expressividade, pode ser lido na postagem do Henrique Antoun “A garotada pertuba a mídia no orkut”.

Saiu a matéria do JB sobre a garotada que usa o orkut. A Juliana da Rocha me ligou e pediu pra que eu respondesse umas perguntas q me mandou por e-mail. Usou um pouquinho na matéria. Vou publicar tudo aqui. É o mínimo q eu posso fazer pela garotada que começa a enfrentar a caretice familiar alavancada pelo cinismo da mídia de massa nestas plagas.

Ainda do Henrique, uma outra avalição pode ser acompanhada no post “O gato saiu do saco”. Esse texto é sobre a fala dele na edição que aconteceu em Vitória do seminário “A Constituição do Comum“. 

Centralidade da informação

Afagando o ego de calouros e focas – mas não deixando de fazer uma constatação – Ancelmo comenta que nunca como agora a sociedade foi tão estruturada pela comunicação. Isso apontaria uma grande oportunidade para quem vive, ó eu aqui, de apurar e transmitar informações. “As pessoas precisam de se alimentar mas também precisam de informação. Sem ela, ninguém sai do lugar. E nós somos catadores de informação. Fomos ‘eleitos’ para isso. Vcs estão na ponta de todo esse processo. É por isso que gosto muito dessa profissão, é a melhor do mundo, e acredito que nunca vai acabar.”

Causos

A tal da objetividade, lembra Ancelmo, não existe e também “não vejo nenhum problema nisso. O que  não pode é vc ser desonesto com os fatos.” Tipo: dizer que meia dúzia de pessoas numa passeata era uma multidão.

A partir disso ele comentou que não gosta do Galvão Bueno – ele e mais essa multidão aqui -  e aproveitou a deixa pesquisar nas ruas para quem as pessoas repetiriam a tal frase do rei espanhol “Por que nao te calas?“.

Os mais cotados teriam sido Pelé, Caetano Veloso, outros tantos e Galvão. Ancelmo teria dado um jeitinho para o nome do dito cujo também fosse publicado na lista dos desafetos do povão. “Ele é um chato. Se Deus fosse conversar com Galvão, o Criador iria sair com crise de auto-estima.”

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01/06 – Da lógica da centralidade à politica em redes

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