Eleitos para o Senado retratariam a mobilidade regional brasileira Janeiro 23, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in eleições 2006, política.add a comment
A fluidez e a extrema diversidade que marcam a sociedade brasileira estão bem retratadas no Senado Federal. Ao observar a trajetória pessoal dos parlamentares, verifica-se que muitos deles percorreram variadas regiões do país ao longo da vida. Boa parte dos senadores não se elegeu por seu estado de origem: na atual legislatura, 24 dos 81 senadores – portanto quase um terço da Casa – nasceram em estados diferentes daqueles que representam.
A legislação é clara: embora representante da unidade da federação, o senador pode se candidatar por qualquer lugar do país; ele precisa apenas ter domicílio eleitoral no estado que pretende representar.
O senador Augusto Botelho (PT-RR), por exemplo, nasceu em Vitória (ES), mas foi criado na capital do estado de Roraima, Boa Vista, cidade natal de sua mãe. Alvaro Dias (PSDB-PR) e seu irmão, senador Osmar Dias (PDT-PR), que construíram toda a sua carreira política no Paraná, nasceram em Quatá, no interior de São Paulo.
Texto publicado na Agência Senado – continuação da matéria no mesmo endereço.
“Discutir princípios políticos a partir da moralidade é uma lamentação inútil” Novembro 6, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in eleições 2006, política.add a comment
A leitura do Valor trouxe a idéia de fazer uma coisa que já deveria ter começado há muito mais tempo – a seleção de alguma figuras a que julgo importante manter uma leitura atualizada.
A mais recente descoberta foi Luiz Antonio Oliveira Lima, professor de economia da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FDV). Segue trecho de um artigo dele publicado no Valor desse final de semana: (mais…)
depoimentos de um dia eleitoral Outubro 29, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in eleições 2006.1 comment so far
Pensei em fazer uma postagem diferente pra hoje. Quando fui votar pela manhã me identifiquei como estudante de jornalismo e saí perguntando até minha seção, na ida e na volta, em quem as pessoas votavam e o porquê desse voto.
Me entusiasmei e, em casa, liguei pra alguns colegas também. O resultado pode ser lido no comentário. Nas duas situações, alguns, não quiseram se identificar, por isso resolvi colocar como padrão apenas a resposta de cada um – o que acredito já ser mais do que válido! (mais…)
Eleições 2006 em: terrorismo eleitoral Outubro 23, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in eleições 2006, política.add a comment
Lamúrias e lamentações não ficam bem em políticos. Reclamar de ataques dos adversários tampouco. De volta ao boxe. Os grandes campeões além de bater sabem também apanhar. Há ano e meio a oposição vem dizendo que o PT é um agrupamento comandado por bandidos dedicados a saquear os cofres públicos. Para abastecer o caixa único que financiará a perenização do PT no poder.
Há três semanas o PT vem repetindo que a oposição é um grupo de vendilhões da pátria. Sedentos para entregar de mão beijada o que sobrou de patrimônio público depois das privatizações que fizeram quando estiveram no governo. Eu não concordo nem de longe com essas caracterizações. Mas se você quer acreditar cegamente numa delas fique à vontade. Saia à rua com uma bandeira e engaje-se na sua cruzada para salvar o país.
Por que o assim chamado terrorismo eleitoral contra a oposição está sendo mais eficaz do que o seu antípoda? Por que vinte dias de propaganda negativa contra Geraldo Alckmin tiveram aparentemente mais efeito do que um ano e meio de propaganda negativa contra Luiz Inácio Lula da Silva? continuação
um manual pro 2º turno Outubro 13, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in eleições 2006.1 comment so far
Restam pouco mais de duas semanas pro segundo turno. No primeiro, muitos afirmaram que o critério principal do voto não deveria ser a comparação entre os governos do PT e do PSDB – pois aí seriam desconsiderados os outros candidatos nanicos. As alternativas, por mais toscas que fossem, tinham que ser apresentadas. Agora que o embate é exclusivo entre esses dois partidos – tem post por aqui que aposta que o embate presidencial vai se dá pela alternância no poder entre PT e PSDB – talvez algumas fontes de informação sejam importantes para decidir o voto:
1. sobre os debates entre mídia e política: se você pensa inadvertidamente na evidência de certas figuras como “mensaleiro”, “pizzaiolo”, “corrupto”, “ladrão”, “beberrão”, e “comprador de votos”, ou adota chavões como “fora fulano”, deve pensar em ampliar seu âmbito crítico. É o que sugere o livro Mídia: Crise Política e Poder no Brasil (Venicio de Lima); outro livro fundamental é Transformações da política na era da comunicação de massa (Wilson Gomes). Como tendemos a ter a memória curta, começamos a pensar que nunca existiu corrupção no Brasil, tornamo-nos desatentos sobre a economia discursiva dos jornalistas, e consumimos o produto notícia sem cuidado prévio algum.
2. sobre os debates entre mídia e política II: muitos já conhecem, mas existe um documentário da BBC (inédito no Brasil) chamado Muito Além do Cidadão Kane. Mostra a constituição e a influência da Rede Globo sobre a política brasileira, e mesmo, a intervenção em fatos políticos marcantes (como o apoio a Collor e o debate Lula x Collor de 1989). O link acima contém o filme para download. Também no google video.
3. informações atualizadas dia-a-dia: quem costuma assinar RSS/feeds tem um importante instrumento para conferir notícias atualizadas na hora. Uma boa sugestão é assinar por palavra-chave: esse link permite ao usuário assinar o RSS de todas as últimas atualizações do que diz respeito a Lula, numa infinidade de sites, e em várias línguas. Nesse outro link, tudo sobre Alckmin. O recurso utilizado é o do bloglines. Outros feeds: mensalão, sanguessugas, dossier, FHC, corrupção…
4. acompanhamento de informações por blogs: muitos blogs apenas repetem opiniões políticas, ou análises da mídia tradicional. Outros são preciosas fontes, de idéias e de links. O blog do Alon dispõe de boas análises de política em uma linguagem cativante e de fácil compreensão; também vale a pena visitar o blog do Fernando Rodrigues. Tanto em um quanto em outro abundam textos isentos, detalhados, com muitos links e referências – uma outra alternativa mais descontraída é o blog do Sérgio Leo.
livremente inspirado no post do blog Catatau
pesquisa mostra que Lula ganha votos de Buarque e Heloísa Helena Outubro 11, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in eleições 2006.1 comment so far
A última pesquisa Datafolha mostra que Lula vai vencendo a batalha com Alckmin pelos votos de Heloísa Helena e Cristovam Buarque.
Há duas razões básicas para isso: o intenso trabalho petista de vincular a imagem de Alckmin a privatizações e cortes orçamentários – dois anátemas para a esquerda e o fato de Alckmin não ter se preocupado em cativar esse eleitorado flutuante durante o debate da Bandeirantes.
Via blog do Alon
uma visão internacional do debate na Band Outubro 9, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in eleições 2006.1 comment so far
Clarín: O presidente do Brasil, Lula da Silva, e seu adversário sóciodemocrata, Geraldo Alckmin, trocaram acusações, dados econômicos e ironias durante o debate que protagonizaram esta noite em um canal de televisão paulista com vistas ao segundo turno em 29 de outubro. continua
El Mercurio: Tal como era esperado, os escândalos de corrupção foram o tema central do debate. Os candidatos trocaram acusações de mentirosos, arrogantes, enganadores e superficiais. Também foram mencionados os temas: economia, política externa e social. continua
ElPaís: O presidente Luís Inácio Lula da Silva e o sóciodemocrata Geraldo Alckmin retomaram no debate toda a sujeira da política brasileira dos últimos anos – o confronto foi marcado pela troca de duras acusações. Esse é o primeiro debate a que Lula comparece e ele foi cercado por Alckmin pelos escândalos de corrupção que sacodem o país desde meados de 2005. continua
Então: do ponto de vista televisivo o debate foi perfeito. Parece que desta vez a Band conseguiu apresentar um ensaio do que será o rumo desse segundo turno. As imagens de Alckmin e Lula, postas lado a lado no momento em que um deles perguntava, mostraram, na maior parte do tempo, um Lula irônico num esforço de passar tranqüilidade enquanto Alckmin não conseguia esconder seu nervorsismo em seu tom embativo ensaiando o estilo de Heloísa Helena – o que natural para quem saiu atrás nas pesquisas e não tem nada a perder; já conseguiu muito com seu imponderável segundo turno.
A agenda de campanha do tucano deverá ser mesmo o mantra da corrupção, ao passo que Lula passará o tempo todo fazendo a comparação entre o que é o seu governo e o que seria (ou que foi: 1994-2002) um governo do PSDB/PFL. Os dados de ambos os lados foram apresentados, deixo pra quem tem mais tempo de estrada ou conhecimento do assunto o mérito de avaliar até que ponto são verdadeiros. Aliás, também não adianta dizer que não foi discutido programa de governo. Televisão, debate, sabe? Não foram feitos pra ficar recitando páginas incompreensíveis. Como diria a Ruth, professora de comunicação daqui, esses momentos são mais pra identificar perfis e estilos do que mapear matematicamnte as propostas de cada um.
A opinião da maioria colunistas a quem li até agora é a de que não houve vencedores* – o Reinaldo Azevedo é uma bela exceção, pra quem não conhece, claro. Mas se a comparação com uma corrida de cavalos é recorrente, a impressão que tive foi que Lula venceu pela ponta do nariz – até pela posição que ocupa agora não passou a imagem de desesperado e pôde se colocar na posição de quem foi ao debate para discutir um programa de governo enquanto Alckmin era o despreocupado com o país que insistia em destacar as denúncias de corrupção.
*você ainda não ficou satisfeito com a idéia de empate e ainda quer saber quem foi vencedor? O site da campanha de Lula aposta que foi ele heheh; o blog do Josias defendeu o tucano melhor do que o próprio candidato poderia ter feito. É só acessar!
o PMDB e seu afago fraternal Outubro 6, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in eleições 2006, política.3 comments
Ah, PMDB, o que seria de minha vida sem você! Acabo de encontrar no site da Câmara uma notícia que certos comentaristas já contavam os dias pra ler. O líder do PMDB, deputado Wilson Santiago (PB), afirmou que o partido está aberto para negociar com parlamentares eleitos que queiram se filiar à legenda para evitar restrições impostas pela cláusula de barreira. Santiago destacou, no entanto, que não é interesse do partido o inchaço da bancada, com adesões sem critério – e que isso fique bem claro! heheh
A propósito: na aula de ontem, Representação e Comportamento Político, foi destacado as quatro fases pelas quais passa uma organização com ênfase, obviedade da obviedade, para legendas partidárias:
1a fase: acontece aqui uma relação de solidariedade e um nobre ambiente de democratização. A instituição tem pleno domínio sobre o que ocorre dentro dela – “dane-se o mundo! Não renunciamos a nossos princípios!!”
2a fase: começa o período de institucionalização, hierarquização e profissionalização dos cargos distribuídos pela estrutura do partido.
3a fase: os interesses específicos da cúpula partidária começa a entrar em conflito com a ideologia latente da base.
4a fase: etapa em que não se dá pra negar as estratégias de adaptação ao contexto social. O partido nem sempre luta pelos melhores objetivos se isso representar algumrisco a sua sobrevivência. Nessa eleição não existe mais aquele discurso queixatório sobre a ampliação das alianças do preseidente Lula. Houve um convencimento de petistas ? Melhor recategorizar para a palavra converção. Por essa linha inescapável (?), Albernaz, professor da disciplina, opina que o “PT é o Psol amanhã”.
2º turno: um breve histórico Outubro 4, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in eleições 2006.add a comment
O blog do Fernando Rodrigues publicou uma tabela com as eleições estaduais em que o derrotado no primeiro turno conseguiu obter uma virada no segundo, desde quando a regra começou a funcionar em 1989.
Repercutindo a mesma postagem, Alon comenta que há dois elementos fundamentais verificados num 2º turno: as alianças políticas – na verdade tão importante quanto no primeiro – e a mobilização para conquistar quem votou em branco, nulo ou faltou no primeiro turno. O jogo entre Lula e Alckmin estaria equilibrado no primeiro item.
No segundo quesito, aquele que conseguir criar a maior rejeição ao adversário sairia na frente. Alon também lembra que uma regra não escrita da política diz que o eleitor não sai de casa no dia da eleição apenas para eleger alguém. Também haveria o desejo de derrotar alguém.
Conhecendo essa regra, não é difícil constatar que Lula vai pintar o PSDB como um partido das elites, entreguista e insensível ao povo; e que Alckmin vai caracterizar o PT como uma quadrilha político-sindical que deve ser extirpada do Estado.
Para quem ainda aposta que a ênfase da disputa vai ser mais programática e passará longe dessas picuínhas, segue os programas de governo dos dois candidatos:
Lula: está disponível em português, espanhol e francês – não sei por que o inglês foi esquecido.
Alckmin: é preciso fazer download. Antes vem um longo texto de apresentação com uma apaixonada defesa de um Brasil com ética e eficiência.
pesquisa, pesquisa, pesquisa; debate, debate… Outubro 3, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in eleições 2006.add a comment
Mais pesquisas saindo do forno. O TSE informa que a pedido da Folha e da TV Globo, será realizada uma pesquisa pelo Datafolha nos dias 5 e 6 de outubro em 260 municípios.
A informação é de que vão ser ouvidas 5.952 pessoas distribuídas da seguinte maneira: na região Sul serão ouvidas 2030 pessoas; no Sudeste, 2662; no Nordeste, 826 e no Centro-Oeste/Norte, 434. A margem de erro projetada para a sondagem é de 2 pontos percentuais e o índice de confiança é de 95%. A pesquisa foi orçada em R$ 130 mil.
A propósito: segue os dias programados para debate presidencial
dia 8/10 – TV Bandeirantes, a partir das 20h30; dia 27/10 – TV Globo, ainda sem horário definido; a TV Record pretende promover um debate, mas ainda não marcou data.