“Temos muitas possibilidades, mas pouca vontade de agir” Setembro 25, 2007
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[Seminário A Constituição do Comum - blog] As palestras da parte da manhã devem ter acabado agora. Talvez, por essa última edição do seminário ter menos dias, dois a menos do de Vitória, por exemplo, se tem vários temas para serem colacados na mesa já no primeiro dia de evento. A programação tá lá no site do Ministério da Cultura – novas tecnologias de comunicação e informação, economia do conhecimento, políticas de comunicação e informação e inclusão digital.
Mas muita calma nessa hora. As discussões apresentadas nas mesas desta e das outras três edições do seminário serão publicadas em livro e na revista Global/Brasil. Assim talvez seja mais fácil digerir, com rabiscos, anotações e leituras mais pausadas, as idéias apresentadas que, só aqui em Vitória, contou com 30 palestrantes.
Em horários diferentes, dois professores daqui da Ufes, Fábio Malini, pela manhã, e José Antonio Martinuzzo, pela tarde, participam hoje como palestrantes.
Essa mini-entrevista foi feita por email com Martinuzzo ainda no sábado. De tudo o que foi programado para esse primeiro dia, ele vai palestrar sobre políticas de informação e comunicação com enfoque para o e-gov: (mais…)
ES volta a debater Rede Pública de Televisão Julho 6, 2007
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A Comissão de Cultura da Assembléia Legislativa e a Rede de Comunicação e Articulação Popular (Recapes) organizam para a próxima semana um debate sobre o tema das “Redes de TVs Públicas no Brasil” – o convidado é o presidente da Radiobrás, José Roberto Garcez. Também participam representantes da TVE, TV Assembléia e TVs Universitárias.
Os organizadores contam que o objetivo é o de iniciar um diálogo com a sociedade capixaba e seus movimentos organizados sobre TV Pública e como se dará a implantação, a gestão e o financiamento deste novo sistema de comunicação no país e no Estado.

O evento acontece no dia 12 de Julho/07, quinta-feira, 9 h, Plenário da Assembléia Legislativa, e é aberto ao público.
A democratização por uma perspectiva diferente
Esse tipo de discussão também esteve presente no seminário que aconteceu em maio na Estação Porto – A Constituição do Comum – a produção de comunicação e cultura na cidade (posts do blog sobre o evento). A tese foi a de que “os sistemas sociais, econômicos e políticos vem se transformando em redes distribuídas” e, como tal, a realidade e as estratégias de ação devem ser projetadas dessa forma.
Na versão do seminário que aconteceu aqui em Vitória foi a professora Ruth Reis, na mesa Desafios para a democratização da mídia, quem mencionou diretamente a questão de que “o modelo de comunicação de massa nasceu e entrou em crise ainda no século XX”.
Ela fez um rápido resgate sobre os movimentos pela democratização da comunicação no sentido de ressaltar que essas iniciativas datam de muito tempo, mas que seria inegável que “a luta reacendeu com uma força fantástica com o advento da internet”.
Toda a discussão anterior, sublinhou Ruth, seguia, e pelo visto ainda segue muito de perto, a lógica de uma matriz de massa. “Tinha que haver uma centralidade (legislação, iniciativa do Estado etc). A digitalização traz uma matriz distribuída”. Um novo paradigma que se caracteriza pela horizontabilidade cooperativa.
Agora, no que foi o delineamento marcante do seminário, se faz necessário descobrir novas formas de narrativas e de se fazer política. Uma vez que “os modelos anteriores parecem esgotados”.
Um exemplo irrecusável para aplicação dessa discussão caminha em direção do que Michel Bauwens argumenta em seu artigo “A Economia Política da Produção entre Pares”. Seria fora da nova realidade que está se configurando a partir da constituição de redes debater uma Rede Pública de Televisão nos moldes como a discussão bem sendo apresentada. O modelo público repetiria em forma estatal a mesma lógica empresarial de centralidade “esgotada” de produzir comunicação e cultura.
A discussão em torno desse tema ficou vem mais demarcada na versão desse mesmo seminário que aconteceu no Rio de Janeiro – assista “O Comum, para além do Mercado e do Estado – O Embate da TV Digital” disponível no site da UFRJ.
Leia também
02/07 – Seminário – A virtualidade da comuniação horizontal
22/06 - A cooperação como elemento constituinte das redes sociais
A produção do imaterial na cidade Junho 12, 2007
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[Seminário A Constituição do Comum - blog] Com essa postagem chega ao fim as anotações que fiz durante o seminário. As postagens publicadas sobre o evento foram
21/05 – “A fuga das fábricas, o encontro nas redes”
24/05 – Internet: “O gato saiu do saco”
24/05 – “A televisão é controle da subjetividade”, diz filosófo
24/05 – “Com a economia intangível, a identidade se torna algo em construção, aberto a mudanças”, diz Antoine Rebiscoul
24/05 – “A Internet é a utopia de que qualquer um comunica”, provoca midiativista espanhol
25/05 – “A mudança não passa pela delegação de representação”, conclui editor da Le Diplomatique
25/05 – Seminário “Cultura e Conflitos no Capitalismo Contemporâneo” via internet
As anotações que publico agora são das apresentações feitas na quinta-feira. O tema foi “Dinâmicas metropolitanas e políticas de desenvolvimento” (mais…)
Da lógica da centralidade à politica em redes Junho 1, 2007
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Foram indicadas três bibliografias para estruturar o artigo, para a aula sobre web 2.0, que se propõe a analisar um fenômeno das redes virtuais – a entrega foi adiada para o final do período. [Essa postagem é parte do que já havia escrito].
> Michel Bauwens – A Economia Política da produção entre Pares
> Antonio Negri – A Constituição do Comum
> Henrique Antoun – Democracia, Multidão e Guerra no Ciberespaço
Todos os autores trazem, não mais como uma tese, mas como um dado da realidade para argumentação, que as redes sociais representam hoje um novo sujeito político.
Citados por Antoun, Arquilla e Ronfeldt vão dizer, em forma de dúvida retórica
As redes parecem ser as próximas formas dominantes de organização – muito depois das tribos, hierarquias e mercados – a chegar ao seu próprio modo de redefinir as sociedades e assim fazendo, a natureza do conflito e da cooperação.
“A natureza do conflito e da cooperação” porque seriam esses os fundamentos básicos sobre os quais a internet viria a ser constituída. Antoun vai recuperar então que as
Tecnologias informacionais de comunicação (TIC), que constituíram a internet e os sistemas de hipermídia através da comunicação mediada por computador (CMC), teriam uma dupla origem fundada nas necessidades estratégicas da máquina militar e nos investimentos de desejo de política democrática.
Antoun vai lembrar ainda que embora sejam inteiramente diversos esses dois princípios que regem o uso da rede hoje – “tanto na índole quanto no desenvolvimento da argumentação” teórica desencadeante – as discussões vão sempre se perguntar sobre o futuro da cooperação e do conflito “na sociedade pós-moderna a partir do advento das redes constituídas pelas TIC e CMC”.
A discussão sobre comunidades virtuais, por um lado, explorariam o poder de cooperação das organizações em rede, enquanto que as redes de guerra, por outro, assinalariam a de seu assustador poder de fogo em situações de conflito – vide o caso da forma de Bin Laden agir em rede no dantesco 11 de setembro. Estes trabalhos, tão contrários entre si, frisa Henrique, nos fazem perguntar se as redes são características de qualquer organização ou se elas são uma forma própria de organização – que potencializadas pelas TIC e pela CMC – estaria conquistando suas emancipação na atualidade.
A leitura da íntegra desse artigo de Antoun vai indicar uma contundente aposta na segunda hipótese.
Redes colaborativas (mais…)
Seminário “Cultura e Conflitos no Capitalismo Contemporâneo” via internet Maio 25, 2007
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[Seminário A Constituição do Comum - blog] - O seminário a Constituição do Comum termina hoje no ES e, nessa ordem, segue para o Rio de Janeiro, Bahia e Pará - saiba mais no site do evento. As palestras programadas para o Rio, entre 28 de maio e 01 de junho, poderão ser acompanhadas ao vivo pelo site do Telejornal Online da Escola de comunicação da UFRJ – os seminários vão está arquivados para livre acesso nesse mesmo endereço.
- A pauta da manhã de hoje foi “Programas Públicos de acesso à internet pública: estratégias e parcerias”. Não pude acompanhar as apresentações, mas a temática deve ter passado por aqui
11/04/07 – Vitória organiza projeto de acesso livre à internet
09/05/07 – Autonomia na produção de comunicação e cultura é tema de seminário
21/05/07 - A fuga das fábricas, o encontro nas redes
07/04/07 – Linux para além de um software livre
- O tema da tarde foi “Nós a mídia: jornalismo cidadão e o futuro do jornalismo profissional”. Um post do blog bem relacionado ao tema é “A opinião distribuída no mercado do diálogo”.
- Ainda tenho muita coisa para postar por aqui e quisera eu que a digestão das discussões fosse mais fácil. Em algumas temáticas me senti contemplado e bem a vontade para escrever. Em outros temas, como ativos imateriais na cidade - um dos assuntos do seminário da quinta-feira – ainda vou organizar o texto melhor para não ficar uma tradução simultânea mal feita – me surpreendi com meu interesse pelo tema.
- Acesse a todos os posts sobre o seminário publicados por aqui.
“A mudança não passa pela delegação de representação”, conclui editor da Le Diplomatique Maio 25, 2007
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[Seminário A Constituição do Comum - blog] - Ainda na manhã de quarta
O editor da Lemonde Diplomatique no Brasil, Antonio Martins, constata que houve uma mudança muita grande na forma de se alcançar o direito de se produzir informação. “Muito diferente de como se deveria agir há 20 anos atrás, por exemplo”. Martins usou dessa constatação para dizer que é necessário pensar então em novas formas de emancipação sóciocomunicativa.
Projetos que realcem a ação autonôma implica responsabilidades maiores. Autonomia para enxergar novas formas de luta.
Essa conquista do direito à comunicação não passa mais – como nunca viria a se passar, mas o contexto político hoje grita isso – por uma centralização dos meios de se produzir comunicação, – um verdadeiro crtl c crttl v do modelo tradicional a que tanto a chamada esquerda viria a contestar – ou seja, muito pensamento a partir do que já está proposto e nada de autonomia de pensamento político. “Querer enfrentar os veículos de comunicação era quase sempre uma batalha perdida”, reconhece catarticamente.
Martins vai argumentar que a internet traz uma realidade alternativa e não dialética – o que também não significaria afirmar que ela represente uma panacéia. “As pessoas deixam a TV e passam então a valorizar as múltiplas possibilidades da internet.”
Impossível não citar aqui Derrick de Kerckhove quando diz (mais…)
“A Internet é a utopia de que qualquer um comunica”, provoca midiativista espanhol Maio 25, 2007
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[Seminário A Constituição do Comum - blog] – De volta ao debate de quarta pela manhã, Raul Sanchez destacou aquilo que, pelo que venho escrevendo das discussões que se tem em aula, já não é bem uma novidade. Sim, o potencial técnico da internet traz uma grande virtualidade democrática. ”Ela pode ser uma forma de democracia expressiva e não representativa” – muito diferente do que Muniz Sodré teoriza sobre a televisão O Monopólio da Fala.
É necessário dar às pessoas meios de produção para que elas divulguem também a “configuração da verdade”
Mas Sanchez faz a ressalva de que essa virtualidade de produção democrática só se materializa com a universalização do acesso às novas tecnologias – o que também dialoga com a fala de Giuseppe Cocco na 2ª feira.
Acredito que Sanchez lembrou em muito meus tópicos de seminário sobre Lorenzo Vilches – também espanhol – quando ele fazia provocações do tipo “Quem constrói a rede? Aonde ela chega?”; “Internet – utopia de que qualquer comunica”.

- Da esquerda para direita – Ruh Reis, sec. de comunicação de Vitória; Antonio Martins, editor da Le Monde Diplomatique; André Passos, presidente da Câmara de Vereadores de Vitória; Raul Sanchez, professor na Universidade Nomada e Pablo Ortellado, do Centro de Mídia Independente.
Leia também – A segregação socioespacial no mapa mundial de acessos a internet (02/05)
Acesse o perfil de Raul Sanchez: (mais…)
“A fuga das fábricas, o encontro nas redes” Maio 21, 2007
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[Seminário A Constituição do Comum - blog] - Ele não estava por lá. Mas foi e será uma influência determinante do seminário que começou hoje pela manhã na Estação Porto. A começar pelo nome do evento – A constituição do comum. Foi dessa forma que Antonio Negri intitulou sua apresentação no ”II Seminário Internacional Capitalismo Cognitivo – Economia do Conhecimento e a Constituição do Comum” que aconteceu em outubro de 2005. A fala de Negri acabou por delinear a temática das discussões ao longo desse evento. Acesse mais na postagem A liberdade que constitui.
A apresentação da manhã de hoje contou com a presença de Giuseppe Cocco e Maurizio Lazzarato. Cocco e Negri comungam assinaturas em vários artigos. O livro Glob(AL) [Biopoder e luta em uma América Latina Globalizada] também é o resultado dessa, digamos assim, camaradagem. Quanto a Lazzarato, não sei se ele assinou artigos com Negri, mas posso afirmar categoricamente… que o livro Trabalho Imaterial é de autoria deles. Acesse no blog O Comum o perfil de todos os palestrantes.

- Da direita para esquerda: Lazzarato, Cocco, e Ruth Reis – secretária de comunicação de Vitória
O meu relato vai se restringir à fala de Giuseppe. Ele é um italiano que fala português o quanto sonho um dia falar em inglês. Lazzarato falou em francês e não consegui encontrar a freqüência em que tradução simultânea era feita. Depois pego as anotações da Juliana pra saber o que ele falou. Deve ser sido qualquer coisa muito interessante mas que para mim tinha quase sempre a mesma pronúncia.
“Mais que de produção, é preciso falar de co-produção de serviços” (mais…)
Em que medida a passividade é determinação técnica ou escolha humana? Maio 15, 2007
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A minha sala fala pouco, tá, eu também não falo muito. Na 5ª série me chamavam de mosquinha morta. Agora, num claro sinal de in progress, recebi a alcunha de come-quieto.
O professor de Mercadologia, José Antonio Martinuzzo (1) , decidiu forçar as pessoas a falarem e fez com nesse período os estudantes passassem a dar seminários.
(1) A tese de doutorado defendida no ano passado teve como título “Comunicação, Novas Tecnologias e Informacionalização da Política: O Governo Eletrônico no Mercosul“.
Fiz hoje minha apresentação, junto com minha colega Liege, sobre o capítulo usuários do livro A Migração Digital. Acredito que fui muito bem, obrigado!
Eis os tópicos feitos pro seminário: (mais…)
Autonomia na produção de cultura e comunicação é tema de seminário Maio 9, 2007
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Recebi um comentário no post sobre a Rede Metrovix dizendo que a “grande pena do que acontece aqui em vitória em termos de tecnologia é que a parte crítica está relegada a segundo plano.” Pois bem. Entre os dias 21 e 25 de maio acontece aqui em Vitória um seminário internacional intitulado A Constituição do Comum: comunicação e cultura na cidade (site do evento). Parte do último dia do seminário será dedicado a debater o tema das redes metropolitanas. Oportunidade para quem pretenda dissecar o projeto é que não vai faltar. Acho.
O evento expressa um movimento político importante. Político e econômico também. Político porque a Metrovix não é uma tecnologia em si. Quem me acompanha sabe que sou adepto do otimismo e o projeto dessa rede denota uma iniciativa no sentido de ampliar o acesso à internet a todas às pessoas físicas e jurídicas da cidade. Mesmo com os pontos de falha que possa existir, prefiro essa perspectiva propositiva a adotar o olhar impotente e paralizante de que o processo digital nasceu para excluir. Sempre lembro da frase de uma professora da 8ª série a quem adoro “Tá, a realidade é essa, mas o que vc está fazendo para que seja diferente?!”
A idéia possibilita que toda a sociedade também passe a ser produtora de conteúdos sem que para isso os meios de comunicação clássicos (TVs, rádios etc) precisem ser ocupados. Uma vez que o projeto viabilizaria um meio de comunicação novo e alternativo para que as singularidades sociais cooperem e sejam afirmadas de forma livre e autônoma.
A luta política hoje não se fará entre entre direita e esquerda, mas entre quem vê televisão sem uma resposta e quem adere a Net com uma informação muito mais completa e que todos podem gerir e alimentar – Derrick de Kerckhove.
A importância da rede sob o ponto de vista econômico, tá, de economia política, se baseia na constatação de que desenvolvimento econômico que não debater a nova economia, que se pauta pela produção imaterial, não pode ser chamado de desenvolvimento econômico. Um exemplo bacana vem lá do interior de SP.
Sud Mennucci tem 7.500 habitantes e, segundo informa a Folha, a cidade conta com um sistema de acesso à internet semelhante ao que está instalado em partes de cidades como Amsterdã (Holanda), Taipé (Taiwan) e Filadélfia (EUA). O lead da matéria expressa bem a mutação que a novidade está causando na cidade.
A cidade tecnológica do futuro, toda interligada pela internet sem fio e gratuita, onde qualquer cidadão pode sentar na praça, abrir um notebook e já começar a navegar na rede, fica a 600 km de São Paulo, no noroeste do Estado. E não tem shopping center, nem comércio variado – qualquer compra mais “sofisticada” precisa ser feita em outras cidades e atualmente é feita em grande parte por encomenda via internet-, nem notebooks, na verdade.
Acesse também a matéria do Valor ‘Aparecida Digital’ recebe o papa.
Mas enfim, o seminário não vai ser exclusivo para debater o tema das redes metropolitanas, apesar dele ser um ponto central do evento.
Eis a programação dos cinco dias do seminário: (mais…)